Como escolher a melhor alimentação para o seu cão?

Não sou nutricionista! Não sou veterinário! Então porquê falar da alimentação e de um assunto que nada tem a ver com o treino? Se fizeram esta pergunta na vossa cabeça, estão errados!

Enquanto treinador, preocupo-me com tudo o que envolva o bem estar dos cães, e a alimentação também contribuí para esse factor. Por incrível que pareça a alimentação influência o comportamento dos cães e passo a explicar o porquê. Todo o comportamento animal (incluído os humanos) é regulado por hormonas e neurotransmissores, essas hormonas e neurotransmissores são influenciados por nutrientes, sendo assim a alimentação tem um forte impacto no comportamento. Esta é a razão pela qual tenho interesse nesta área e tenho procurado informações para poder contribuir com a melhor alimentação possível para os meus cães e para o dos meus clientes.

Neste artigo vou ter em consideração cães saudáveis e não cães que necessitem de algum tipo de alimentação específica, por razões de saúde. Também não me vou focar no tipo de alimentação (se é ração, BARF, comida húmida, comida cozinhada..), vou sim focar-me na qualidade dos ingredientes e na composição da alimentação.

Um dos grandes erros na escolha da alimentação dos cães é averiguar em primeira instância os níveis de proteína da mesma. Uma alimentação com 30% de proteína não significa que seja melhor que uma com 20% de proteína. Temos que ter em consideração a qualidade e a origem da proteína. Neste sentido a constituição analítica deve ser analisada em segundo plano, e em primeiro plano devemos analisar a lista dos ingredientes que compõem a alimentação. Na embalagem podemos analisar a composição da alimentação e os ingredientes estão dispostos por ordem quantitativa decrescente, ou seja, o ingrediente que aparece em primeiro lugar é o que está em maior quantidade, o que aparece em segundo lugar ocupa a segunda posição em termos quantitativos, e assim sucessivamente.

Numa alimentação balanceada e de qualidade para os nossos cães, o primeiro ingrediente deve ser carne e não cereais como consta em algumas marcas prestigiadas. Em relação á carne é importante que esteja mencionado o tipo de carne e a origem (frango por exemplo: carne de frango desidratada, farinha de carne de frango ou frango fresco), e evitem uma alimentação na qual a carne vem descrita como “carnes e sub-produtos de origem animal”, nestes casos estamos a falar de alimentações compostas por bicos, penas, asas, patas, ou seja, zero em termos de qualidade nutricional.

Em relação aos cereais, são um tipo de ingredientes desnecessários para o bem estar dos nossos cães, no entanto estas alimentações “grain free” apesar de mais valias, costumam ser financeiramente mais caras. Como tal, ao optarem por uma alimentação com cereais, procurem uma que tenha este ingrediente em pouca quantidade e evitem cereais como o milho e o trigo (o glúten é dispensável).          

A presença de legumes e frutas na alimentação, é óptimo. Nestes casos obtemos vitaminas, minerais e anti-oxidantes que são sem dúvida alguma mais valias na saúde dos nossos animais.

Omegas 3 e 6, são ingredientes essenciais e reflectem-se positivamente na pele e pelo dos cães. Estes ómegas são encontrados em alimentações ricas em óleos de qualidade e/ou que tenham peixes na sua composição.

Glucosaminas e condotrinas, são 2 nutrientes a procurar se quisermos reforçar os ossos e articulações dos animais.

Quanto melhor for a qualidade da alimentação, maior será o aproveitamento que o sistema digestivo vai fazer para reter essa qualidade nutricional no organismo. Isto quer dizer que 80 ou 90% daquilo que o cão come, será utilizado em prol da saúde e vitalidade do mesmo. Em contrapartida, ao alimentarmos um cão com uma alimentação de baixa qualidade, o organismo apenas irá reter 10 ou 20% daquilo que ingeriu, tudo o resto será eliminado através das fezes. Em termos financeiros será sempre mais vantajoso optarmos pela qualidade e passo a explicar o porquê: para saciar e satisfazer um cão de porte médio, serão necessárias aproximadamente 300 gramas/dia de uma boa alimentação. Se optarmos por uma alimentação pobre, serão necessárias 700 gramas/dia para saciar e satisfazer esse mesmo cão. Isto quer dizer que 15kg de uma boa alimentação dará para mais ou menos 50 dias, por outro lado 15kg de alimentação "low cost" dará para 20 dias, ou seja, em termos custo/benefício é sempre preferível optar pela qualidade e não pela quantidade. Essa qualidade será refletida, no pelo, na saúde, na vitalidade e no bem estar do seu cão.

Estes são os meus conselhos para a escolha de uma alimentação balanceada, no entanto é sempre aconselhável pedir a opinião do veterinário, para encontrar a melhor opção para o seu cão.