Devo ou não dar ossos ao meu cão?

Sr. Doutor, posso dar ossos ao meu cão? De certeza que já fez esta questão ao seu veterinário! Eu próprio já a fiz várias vezes no passado e daí o meu interesse em analisar os prós e os contras associados a esta questão. As opiniões dividem-se e ainda estamos longe de ter um consenso se se deve ou não dar ossos aos cães. Existem veterinários e zootécnicos que são a favor e existem outros que são contra.     

Depois de ter pedido várias opiniões sobre o assunto, depois de ter lido muito sobre esta matéria, depois de ter experimentado ossos nos meus cães, e mais importante ainda, depois de ter recomendado ossos a cães de clientes e ter obtido o respetivo feedback dos mesmos, posso dizer que tenho uma opinião fundamentada e afirmo, sem hesitações, que sou completamente a favor de dar ossos aos cães.       

Que tipo de ossos posso dar ao meu cão?

Neste artigo, vou falar especificamente em “ossos recreativos” e não nos ossos carnudos (frango, coelho....) que entram como ingredientes nas alimentações naturais para cães (isto é outro assunto).  Portanto quando falo em ossos recreativos, refiro-me especificamente a ossos grandes como o fémur e joelho de Vitela (são as minhas preferências). O osso deve ser sempre de tamanho superior à boca do cão, e o intuito dos mesmos é o cão o roer durante algum tempo e não o ingerir de uma só vez.  


Como devem ser servidos esses “ossos recreativos”?          

Crus! É verdade! Todos os ossos que damos aos nossos cães devem ser dados completamente crus, no entanto, devem passar por um período de congelação de no mínimo 72 horas, antes de ser dado ao cão. Este processo de congelação tem o objetivos de eliminar possíveis agentes parasitas que se encontram nos ingredientes crus.


Porquê é que não posso servir os ossos cozinhados?

Cozinhar os ossos muda por completo a estrutura molecular do osso. O calor torna o osso mais rígido e consequentemente com a mordida do cão, pode criar lascas pontiagudas que podem criar perfurações no sistema digestivo.


Quantas vezes por semana posso dar ossos recreativos ao meu cão?

No meu caso, ofereço ossos recreativos 2 ou 3 vezes por semana aos meus cães.

 

Quais os benefícios de servir ossos recreativos?      

Este é o cerne da questão! Existem inúmeros benefícios na oferta de ossos recreativos para os nossos cães.

Aliviar o stress -  Quando deixa o seu cão sozinho em casa, sem qualquer atividade para ele se entreter, muitos cães optam por morder as pernas das mesas, cadeiras, cabos, entre outros. Ou, cães que apresentam comportamentos obsessivos compulsivos, e que começam a morder as próprias patas, ao ponto de fazer ferida.  Estes comportamentos atrás mencionados, não estão de todo relacionados com sentimentos de vingança (como muitos afirmam), tratam-se sim de comportamentos incentivados pelo stress e frustração. Quando um cão está emocionalmente desequilibrado, o ato de mastigar, é um dos primeiros comportamentos que um cão apresenta para contornar o stress e/ou desgastar energias acumuladas. Tendo isto em consideração, eu recomendo ossos recreativos não só para cães que detêm problemas comportamentais mas também como forma de prevenção em cães que não apresentem problemas comportamentais.  Todas as atividade que incentivam a diminuição do stress também incentivam a prevenção desse mesmo stress.


Minerais e nutrientes – Os ossos recreativos, possuem na sua constituição, medula e cartilagens, e isto faz com que sejam ricos em cálcio, fósforo, magnésio, gorduras e algumas vitaminas.


Estimulação mental – Como o próprio nome indica, os ossos recreativos, são usados para deixar o cão entretido durante algum tempo. Apesar de não ser nenhum “quebra cabeças” para o cérebro do cão, do meu ponto de vista, não deixa de ser uma atividade que envolve desgaste de energias e que mantem o cão ocupado e interessado nesse exercício – roer. Desta forma, propomos um “entretenimento” ao cão e prevenimos que ele não se entretenha com objetos que não deve.

 

Saúde – Quando falo em saúde, refiro-me à saúde física e emocional. Saúde física: os ossos recreativos possuem um excelente desempenho na higiene oral do cão, proporcionando a limpeza do tártaro dentário. Possibilitam que o cão exercite os músculos faciais e os maxilares, é importante salientar que o roer é um instinto natural dos cães. Saúde emocional: o prazer e a satisfação de roer um osso, cria endorfinas e ativa alguns neurotransmissores que criam bem-estar no cão, factor que influência um equilíbrio emocional e uma homeostasis corporal.    
     

Conselho extra: Por volta dos 4 meses de vida de um cachorro, surge a troca de dentição e este processo gera alguma dor e desconforto nos cachorros. Por norma, nesta altura, os cachorros sentem muita necessidade de morder, no sentido de aliviar essa dor na gengiva. Também nesta fase aconselho o uso de ossos recreativos e recomendo que sejam dados congelados, pois desta forma, o efeito refrescante terá um efeito aliviador e analgésico na gengiva do cachorro.
 

Como veem, os benefícios são vários, se regularmente, oferecermos ossos recreativos  aos nossos cães. Dirija-se ao Talho da sua zona, peça-lhe ossos grandes, congele-os e vá retirando do congelador à medida que os queira oferecer ao cão. Se tiver uma boa relação com o talhante, tenho a certeza que ele não lhe irá cobrar dinheiro pelos ossos, pelo menos comigo funciona assim.

 

É Importante ter em consideração que cada caso é um caso, e se tem dúvidas sobre se o seu cão é um candidato a receber ossos recreativos, não abdique de consultar o seu veterinário e abordar o assunto de forma aberta.


Atenção! Os ossos prensados/couro que se compram nas superfícies comerciais ou nos petshop’s, não são aconselhados como substitutos dos ossos recreativos mencionados acima. Estes ossos possuem aditivos tóxicos, sintéticos, corantes e conservantes, e são considerados perigosos para a saúde do cão, visto que não são muito bem digeridos pelo organismo. Outro perigo destes ossos, está no facto de, ao serem roídos e mastigados, eles não partem em porções pequenas mas formam sim, uma massa pegajosa, massa essa que é geralmente ingerida por inteira, existindo já relatos de casos em ocorreu obstrução intestinal, ou até mesmo, casos em que essa massa pegajosa ficou colada ao céu da boca do cão, provocando momentos de aflição no animal.