Instinto predatório! Será agressividade?

O instinto predatório é um comportamento genético presente nos cães. É um comportamento de sobrevivência, natural, que os cães adquiriram do seu ancestral – o Lobo.

Apesar de ser uma característica presente em todos os cães, ela é mais saliente em alguns exemplares, devido à evolução natural da espécie e pelo facto deste comportamento ser estimulado e exercitado em prol de determinados atividades e objetivos.

Este instinto predatório, é muitas vezes denominado por agressividade predatória, no entanto, se analisarmos as emoções e a biossinalização associadas entre um comportamento predatório e um comportamento agressivo, podemos ver inúmeras diferenças, e consequentemente concluir que, um instinto predatório, não é um comportamento agressivo.

Quando falamos em comportamentos agressivos, referimo-nos a comportamentos problemáticos que são acionados num determinado contexto no qual o cão se sente inseguro e com medo. Nestas situações, o cão sente a necessidade de responder agressivamente a um conflito, com o objetivo de aumentar a distância entre ele e o estímulo. Nestes casos, o stress é acionado, libertando grandes quantidades de cortisol para o fluxo sanguíneo. A emoção responsável pelos comportamentos agressivos, é o MEDO!

Em relação ao instinto predatório, este é acionado, assim que o cão avista uma possível presa em movimento. Nestes casos, o objetivo passa por diminuir a distância entre o cão e o estímulo (ao contrário dos comportamentos agressivos). Durante o ato predatório, a Dopamina (neurotransmissor que influência o prazer) é ativada, libertando grandes quantidades de endorfinas para o sangue. A emoção responsável pelo instinto predatório, é a BUSCA!

Tendo isto em consideração, não faz sentido criar uma relação entre o instinto predatório e a agressividade. As emoções e os neurotransmissores associados são diferentes! Enquanto que a agressividade gera um desequilíbrio emocional, o instinto predatório gera prazer e motivação no cão.

Por incrível que pareça, no nosso dia-a-dia, incentivamos esse instinto predatório nos cães. Sempre que atiramos uma bola de ténis, quando usamos um “flirtpole”, quando jogamos “Tug-of-War” ou até mesmo quando fazemos exercícios de busca e salvamento e “Nosework” , nos estamos a estimular o instinto predatório dos nossos cães. Isto para não falar dos cães de caça, que obviamente, são os cães com maior aptidão predatória, e que são constantemente postos à prova e estimulados para este tipo de atividade.

Um cão que persegue um coelho e que o mate, não faz deste cão um cão com comportamentos agressivos. Temos que ter em consideração, os comportamentos genéticos  e naturais, presentes no repertório de um cão.

A grande preocupação reside, quando o cão direciona esses instintos predatórios para um gato ou outro cão de porte pequeno! Isto pode acontecer, como tal, enquanto tutores, temos o dever, de prevenir, que estes instintos naturais, não sejam orientados para este tipo de alvos.