O abandono e os Canís

Retirar um cão da rua, acolher um cão de um canil, realojar o cão de um amigo ou até mesmo comprar um cão (oriundo de criadores responsáveis e não de pessoas que apenas tem interesse financeiro na venda dos cães), é uma decisão que vai condicionar o seu futuro.

Infelizmente, o abandono de cães tem sido uma prática cada vez mais visível no nosso país. São situações que a mim, pessoalmente, me criam revolta e tristeza. Já fiz algumas ações como voluntário e confesso que é frequente deixarmo-nos levar pelo nosso lado emocional e ignoramos o nosso lado racional. Os sentimentos e a sensibilidade humana, são factores preponderantes no momento das adopções. Todos nos, ou melhor, a grande maioria de nos (tendo em conta que existem pessoas sem o mínimo de sensibilidade e respeito ao próximo), sente-se fragilizada com situações de abandono e de maus tratos, a verdade é que, para acabar com estes cenários que envergonham a espécie humana, era necessário fazer uma lavagem cerebral no grupo de pessoas, que vê os cães como objetos descartáveis e não como seres vivos geneticamente ligados e vinculados aos humanos. 

Há uns meses atrás, lembro-me de ter falado com uma voluntária da APAV na qual lhe disse que os cães naquela instituição eram bem mais felizes naquele espaço do que se fossem adoptados por uma família humana. Ali, pelo menos sei que todos os cães vivem soltos sem correntes, encontram-se em boxes espaçosas, dormem abrigados, brincam uns com os outros, são alimentados diariamente e recebem algum carinho (nem que seja só por uns segundos). Garanto que já vi muitos cães de “companhia” que não possuem um terço destas condições, passam 24h por dia presos a uma corrente, expostos ás temperaturas altas e baixas, passam 99% do dia sozinhos e durante 2 minutos veem uma pessoa que apenas lhes vai meter comida na “gamela” sem oferecer qualquer contacto físico! 

É preciso louvar e respeitar, o esforço e a dedicação que centenas de voluntários, praticam diariamente, no nosso país, para dar as melhores condições possíveis a cães abandonados. Com este artigo, quero deixar bem claro que, não é por um cão estar num canil que ele é infeliz, da mesma forma que, não é por um cão estar numa moradia que ele é feliz. Muito provavelmente, muitos voluntários devem estar a pensar, “Epah, este gajo está a aqui a estragar a nossa missão”. Não! Não é esse o meu objetivo! A minha preocupação foca-se com o bem estar dos cães, e se eu acho que alguns deles são mais felizes em canis do que inseridos em certas famílias, então prefiro que eles permaneçam nos canis ao invés de serem adoptados.