Será que o seu cão se sente feliz quando o passeia?

A maior parte dos meus clientes, quando me contactam referem que os seus cães puxam imenso à trela quando os passeiam. Isto acontece por 3 razões: 1º Nunca ninguém os ensinou a caminhar à trela; 2º o passo normal de um cão é mais rápido que o nosso; 3º o meio ambiente é rico em estímulos que o cão pretende explorar o mais rapidamente possível.

 

A abordagem a este tipo de treino, é diferente de treinador para treinador. Considero que o passeio deve ser uma oportunidade para o cão desgastar energias, divertir-se e explorar o ambiente. Os cães gostam de cheirar e de interagir com os estímulos envolventes, e se isso contribuí para o bem estar deles, porquê não os deixar ter esse prazer! Pessoalmente, não gosto de ver os cães SEMPRE colados à perna do tutor enquanto passeiam. Por vezes vejo tutores a passear cães com trelas de 50cm de comprimento e até tutores que mantêm a trela sempre tensa ao ponto do cão ter dificuldades em respirar, tal é a pressão na coleira. Sou da opinião que este tipo de passeios é aborrecido e pouco motivador na perspetiva de um cão. Este tipo de cães costuma passear com uma linguagem corporal “apática”, no entanto, e na opinião de algumas pessoas, é fabuloso ver os cães a passear colados ao tutor, a verdade é que ninguém se interessa e preocupa com a perspetiva do cão nestes contextos.

 

Muitos treinadores e tutores confundem obediência de competição com obediência para o dia-a-dia de um cão de companhia, isto é, aplicam o treino de competição em cães que não competem. Para quê ensinar o “junto” a um cão que apenas quer desfrutar do passeio. Temos que começar a deixar os “juntos”, os “sentas” perfeitos, os “ficas” a 50m de distância, para quem compete e aplicar obediência básica (não obediência de competição) para um cão e cidadão comum.

 

Voltando aos passeios, a minha abordagem a cães que puxam à trela, é ensinar-lhes a não puxar, sem no entanto, lhes tirar o prazer que o passeio lhes pode dar. Assim sendo, nas minhas aulas, começamos por ensinar os cães a caminhar ao lado do tutor mas numa fase mais avançada deixamos essa vertente de parte e deixamos os cães caminhar livremente, no meio ambiente, sem a necessidade de estarem sempre a puxar. Basicamente deixamos os cães serem cães e não robots.

 

Sempre que abordo este assunto, digo a todos os meus clientes:
“Não me importo que o meu cão caminhe à minha frente, atrás de mim, do meu lado direito ou do meu lado esquerdo, desde que não puxe, por mim tudo bem!”